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Tata


Tata





Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Ratátátá

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem
Minha mãe é Maria-Ninguém
Não sou atriz-modelo-dançarina
Meu buraco é mais em cima

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Ratátátá




Ficha técnica

Já fui chamada de várias coisas, já tive vários nomes; inúmeras identidades. Descobri que além delas, sou uma "coisa a parte", sou uma gente. Com medos, dores, amore, risadas, humores... Tenho 25 anos, brasileira com muito orgulho (e lágrimas), mãe de duas meninas lindas, filha de uma mulher guerreira e maravilhosa, irmã de caras super bacanas, amiga de muita gente, amante, mulher, filha, profissional. Aprendi que ter fé é essencial para abrir os olhos todas as manhãs, que ri (mesmo quando eu quero chorar); é essencial para eu não perder o meu charme... Que mentir dói, mas nem sempre sair falando tudo é honesto. Falar é prata, calar é ouro; mas ouvir é diamante! Pedir desculpas não retira nenhuma lágrima derramada, então notei que desculpa é apenas mais uma palavra - prata por origem - e que mostra arrependimento de ações, são as ações mesmo. Já amei, como amei!!! Já chorei por amor, e quem ainda não chorou? Já fiz chorarem por mim; prova ridícula de ego! Tenho por distração escrever neste blog, que não tem por objetivo polemizar assunto nenhum, apenas esvaziar a cuca quando os pensamentos começam a entalar na minha garganta.







No meu rádio

Seu Jorge, Gun's, Ana Carolina, Cássia Eller, Marisa Monte, Maria Rita, Roupa Nova, RPM, Débora Blando, Legião Urbana, Titãs, Kid Abelha, Raul Seixas, Zé Ramalho, Fagner, Elba Ramalho, Ellis Regina, Clara Nunes, Osvaldo Montenegro, Jota Quest, Skank...

Na minha cabeceira

A princesa, Maquiavel para Mulheres; Um ano junto ao mar; Mulheres que correm com os lobos: mitos e arquétipos sobre a mulher moderna; Hamlet; Dom Casmurro; Alto da Barca; Sermão do Bom Ladrã;, poemas de Florbela... A morte e a morte de Quincas Berro D'Água; Memórias Póstumas de Braz Cubas; Por favor deixe-me viver; O mundo que eu encontrei; Dois mundos tão meus; Violetas na Janela...

Na minha tv

Mitbuster, Investigadores Psíquicos, Sobrevivi, Hora Crítica, Casos sobrenaturais, Overhaulin, Fantástico, Billy e Mandy, Coragem o Cão Covarde, Meu Pai é um roqueiro, Jovens Titãns...

No meu dvd

Dirty Dance: Ritmo Quente; Uma linda mulher, Um amor para recordar, Spring Hope (não sei o nome deste filme em português); Pequena mulher, grande garota; Exorcista (todos); 13 Fantasmas; Jogos Mortais, Hora do Pesadelo (todos), Estigmata, Orfeu, Deus é brasileiro...

Na minha mesa

A minha comida!!!! Sem nenhuma modéstia, eu cozinho bem pra caramba!!!!



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Liberdade, fraternidade, igualdade e foda-se!

Direito ao foda-se

   Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzam com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o Povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a "vulgarização" do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.

  "Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz idéia de maior quantidade do que "Pra Caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática, física. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto dela pra caralho, entende?

  No gênero do "Pra caralho", mas no caso expressando a mais absoluta negação está o famoso e crescentemente utilizado "Nem fodendo!". Que nem o "Não, não e não!" e nem tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não!" substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, liquida o assunto. Te libera, com a consciência e o ego tranqüilos, para outras atividades de maior interesse em sua vida.

   Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo -"Huguinho, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o novo CD do Lupicínio.

   Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porra nenhuma", como vocês vêem, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se tivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

   São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que- pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um puta-que-o- pariu! dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

  E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e grita: "Chega! Quer saber mesmo de uma coisa? Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto,você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai na rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

   Seria tremendamente injusto, em que pesem ainda inexplicáveis e preconceituosas resistências à sua palavra-raiz, não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do PV (Português Vulgar): "Embucetou!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Embucetou de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como o comentário de um vizinho para sua esposa ao sacar que no auge da violenta briga do casal da residência ao lado, chegam de súbito a amante, o filho espúrio e o cunhado bêbado com o resultado do exame de DNA: "Fecha a porta que embucetou de vez!".

   O nivel de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do"foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".

   O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na constituição brasileira. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.

Luis Fernando Veríssimo



- Postado por: Tata às 15h16
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