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Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Ratátátá
Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem
Minha mãe é Maria-Ninguém
Não sou atriz-modelo-dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Ratátátá
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Afundada no lodo cor-de-rosa

"Antes de ser mãe eu fazia e comia os alimentos ainda quentes. Eu não tinha roupas manchadas. Eu tinha calmas conversas ao telefone.
Antes de ser mãe eu dormia o quanto eu queria e nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes. Antes de ser mãe eu limpava minha casa todo dia. Eu não tropeçava em brinquedos nem pensava em canções de ninar.
Antes de ser mãe eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou não. Imunizações e vacinas eram coisas em que eu não pensava. Antes de ser mãe ninguém vomitou nem fez xixi em mim, nem me beliscou sem nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas.
Antes de ser mãe eu tinha controle sobre a minha mente, meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos. ... eu dormia a noite toda ..
Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando para que médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções. Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.
Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha. Eu nunca fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.
Antes de ser mãe eu nunca segurei uma criança por não querer afastar meu corpo do dela. Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor. Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida. Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim. ...e não sabia que adoraria ser mãe.
Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora do meu próprio corpo. Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto. Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança. Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante.
Antes de ser mãe eu nunca me levantei noite a cada 10 minutos para me certificar de que tudo estava bem. Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe. Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes. Por tudo e, apesar de tudo, obrigada, Deus, por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo."

Antes de ser mãe eu realmente não conhecia a FELICIDADE!
Dia 04 de junho, faço 1 mês como mamãe: mãe de Vivi e Aninha, literalmente estou afundada num lodo cor-de-rosa vivendo e sendo mãe de duas lindas meninas. Sou grata à Deus por ter me dado este presente e missão, de ter ao meu lado estes lindos anjinhos.
Vivi vai arrancar esta semana seu 5º dente, minha bebezinha, aquele serzinho que me ensinou a ser mulher, está crescendo e ficando cada vez mais indepentende. Já não necessita de mim para tantas coisas, já acha mico me abraçar em público, ou fazer dengo na frente dos outros... Já não acha meus braços o lugar mais legal do mundo, e eu atrapalho todas as suas brincadeiras. Quando ela está dormindo, percebo nitidamente o quanto ela cresceu, já calça 32!!!! Já fala de meninos, de roupa da moda, de sair sozinha com amigas... Eu já não sou tão importante para ela... Já não sou a amiga preferida, ela hoje tem a "melhor amiga", já virei a chata, a estraga tudo, aquela que só sabe mandar... É ela esta crescendo, este é um afato que eu tenho que encarar.
Aninha está descobrindo o mundo a sua volta, tem olhos vivos e curiosos, já estranha e reconhece as pessoas bem como o ambiente que a cerca. Já não dorme o dia todo e gosta de me olhar nos olhos, parece gostar de quando eu converso com ela. Faz manha para ficar no colo, adora dormir nos meus braços. Ela ainda não acha mico eu abraçá-la e fazer dengo... Já percebo que ela não gosta de vestir certas roupas, que já tem suas preferências... Meu outro bebê começa a crescer e buscar o seu mundo, por enquanto eu ainda faço parte dele, por enquanto eu sou o mundo dela.
Eu... eu vivo num lodo cor-de-rosa, que na maioria das vezes me leva à risadas! Ana ficando vesga por olhar fixamente em um objeto, Vivi ensaiando a coreografia dos rebeldes, fraldas, brinquedos e carrinho espalhados pela casa; eu descabelada no meio disso tudo. Ainda não me sinto mulher novamente, por enquanto sou totalmente mãe e não consigo me imaginar longe das minhas crias, tampouco imaginar elas longe do meu alcance
E, por falar nelas: Aninha está acordando para mais uma mamada.
- Postado por: Tata às 11h35
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